GOLPES DIGITAIS

Golpe do pix e golpes que utilizam Inteligência Artificial (IA)? A LawDi te explica cada um deles para você saber como se proteger!

DIREITO DIDÁTICO

Vanessa Mestanza Pelosi

3/6/20267 min read

Olá, Usuário da Internet!

Você já ouviu falar, já quase caiu ou, infelizmente, já caiu em um golpe digital

Fato é: os golpes digitais estão cada vez mais sofisticados, utilizando-se de tecnologias mais modernas e táticas de manipulações que enganam as nossas percepções, nossos sentidos e nossas emoções.

Mas… Calma!

A LawDi está aqui para te tranquilizar! Nesse ambiente, o Digital e Lei sempre estão em conexão! Por isso, disponibilizamos abaixo um breve resumo de 2 (dois) dos principais golpes digitais da atualidade, junto com um checklist para você saber como se prevenir e não cair em uma cilada!

Desejamos uma boa leitura!

GOLPES DIGITAIS

  1. GOLPE DO PIX


O golpe do "Pix por Engano" ocorre quando o infrator envia um valor (geralmente de uma conta laranja ou fruto de outro golpe) e pede para a vítima devolver em uma conta diferente daquela utilizada inicialmente. Ao fazer isso, a vítima pode ter sua conta bloqueada pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED) e ainda perder o dinheiro que "devolveu" voluntariamente.

O perigo desse golpe é que, na prática, o golpista utiliza a vítima como um instrumento para realizar uma etapa da lavagem de dinheiro, e a vítima, mesmo sem saber e agindo de boa fé, acaba participando do processo.

O golpe acontece da seguinte forma:

  1. O valor que cai na conta da pessoa é sujo (proveniente de uma conta falsa ou de um golpe anterior na vítima A);

  2. O infrator em vez de mandar para a conta final, já que é mais fácil rastrear a transação, ele envia para a vítima B (a pessoa que recebe o Pix por engano);

  3. Por fim, quando a vítima B, agindo de boa fé, faz um novo Pix para a conta que o golpista indicou, utilizando o seu saldo legítimo, o dinheiro é limpo e assim quebra-se a cadeia de rastreio direto daquele dinheiro sujo. Além de ter sido por uma transferência voluntária, o que dificulta a acusação de golpe na transação.

As consequências para a vítima são graves, visto que, mesmo que a vítima B não tenha intenção criminosa, para o sistema financeiro e para as investigações, ela se torna parte da cadeia de movimentação do dinheiro ilícito. Desta forma, para a vítima A o seu dinheiro está na conta vítima B. Quando a vítima A aciona o MED (Mecanismo Especial de Devolução), o Banco bloqueia preventivamente o saldo correspondente na conta da vítima B. 

Decorrente desse bloqueio, por acusação de fraude, a vítima B pode possuir dificuldades bancárias, pois ter a conta bloqueada pelo MED ou ser associado a movimentações suspeitas, pode sujar o histórico no Banco Central, dificultando a abertura de contas em outros bancos, pedidos de empréstimo ou cartões de crédito no futuro.

Ainda, em um investigação policial, a vítima B poderá ser intimada a depor, devendo justificar o recebimento do dinheiro ilícito.

*O Mecanismo Especial de Devolução (MED) é um sistema criado pelo Banco Central para auxiliar possíveis vítimas de fraudes com Pix e em casos de falha operacional nos sistemas por parte das instituições que envolvem a transação (quando a instituição efetua uma transação em duplicidade, por exemplo).

O MED acionado pela vítima segue um fluxo estruturado, que se inicia com a instituição financeira do pagador abrindo uma notificação de contestação da transação Pix sob suspeita de fraude, a qual é enviada e avaliada pela instituição do recebedor; se esta notificação for aceita para análise, os recursos correspondentes são bloqueados na conta do recebedor até a conclusão do processo, e, caso a alegação de fraude seja acatada após a análise, o valor é debitado da conta do recebedor e restituído ao pagador, ou, se a fraude não for comprovada, o valor é desbloqueado e liberado para o recebedor.

NO CASO CONCRETO: A vítima B possui o importe de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) na conta. A vítima B recebe um Pix por engano no importe de R$ 1.000,00 (mil reais), de um golpe aplicado na vítima A. O infrator pede para a vítima B devolver o valor em uma conta diferente daquela que fez a transferência inicial, e pautando-se na boa-fé, assim o faz, a conta da vítima B volta a ter R$ 5.000,00 (cinco mil reais), só que nessa etapa o dinheiro retirado da conta é legítimo, o que limpou aquele dinheiro sujo. Porém, a vítima A entende que caiu em um golpe e aciona pelo seu banco o MED contra a conta que parou o dinheiro ilícito (a conta da vítima B), assim bloqueando o valor. Caso seja comprovada a fraude,  o valor será retirado para devolver à vítima A, assim a vítima B que já havia devolvido o dinheiro, terá o prejuízo de ao final ficar com R$ 4.000,00 (quatro mil reais), restituindo os R$ 1.000,00 (mil reais). 

O golpe utilizada o próprio sistema do banco (o MED), contra a vítima B que recebe o Pix por engano. O maior risco dessa fraude não é apenas perder o dinheiro, mas sim ter sua identidade financeira e sua conta bancária "contaminadas" pela movimentação de dinheiro de origem criminosa.

Não fique assustado(a)! Mas, em alerta! Há formas de você se prevenir para NÃO ser a vítima B. A LawDi te explica através desse checklist super fácil e didático:



  1. GOLPES COM INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (IA): 

Os golpes utilizando Inteligência Artificial (IA) estão sendo cada vez mais recorrentes, sendo utilizadas tecnologias aprimoradas que manipulam os sentidos, as sensações e as emoções da vítima. A Deepfake, que é a manipulação da voz e imagem em fotos/vídeos, é a ferramenta mais usada na aplicação dessas fraudes, a tecnologia utiliza algoritmos de aprendizado profundo (Deep Learning, um ramo da IA) para sintetizar imagens, vídeos ou áudios realistas, substituindo o rosto ou a voz de uma pessoa pelo de outra. 

Desta forma, a voz e o rosto de algum parente, amigo ou conhecido é "colado" (como se fosse uma máscara digital) em cima da voz ou rosto do infrator, que "se passa" por aquela pessoa familiar para enganar a vítima e pedir, especialmente, "ajuda financeira", com o pretexto de estar passando por necessidades ou situações de urgência, o que gera a sensação de empatia ou desespero na vítima.  

As etapas do golpe utilizando IA e Deepfakes podem ser resumidas em três fases principais:

  1. Coleta de Dados: Os golpistas coletam amostras reais de voz e imagem da vítima (parentes, amigos ou conhecidos da pessoa que pretendem enganar) em redes sociais públicas.

  2. Criação do modelo digital (Deepfake): Usando softwares especializados, os criminosos treinam a IA com os dados coletados. O resultado é um "clone digital" permitindo que os criminosos criem mensagens de áudio, façam ligações telefônicas ou até chamadas de vídeo em tempo real, onde o rosto e a voz do golpista são substituídos pelos da pessoa clonada, falando qualquer texto ou reagindo a perguntas com aparência de autenticidade.

  3. A Execução (A Engenharia Social Emocional): Os infratores entram em contato com o alvo/vítima final, simulando uma situação de necessidade ou emergência extrema (acidente, prisão, quebra de veículo), sob forte gatilho emocional. Diante da ocorrência, a IA com a voz e imagem da pessoa "clonada" pede dinheiro urgentemente (via Pix ou outra transferência). Neste golpe, o criminoso conta com a confiança da vítima e a manipulação dos seus sentidos.

*Nota da Autora:  A questão toda nesse golpe, é a realidade extrema da qual a vítima se depara; imagine receber uma ligação por vídeo com o rosto da pessoa que você conhece falando, se movendo e conseguindo expressar reações "reais"?! A tecnologia Deepfake torna isso possível, e qualquer um de nós é passível de ser manipulado. Mais do que a fraude, é o fato de isso ser, no mínimo, bizarro, não? 

Sabemos que isso pode assustar, mas há formas de se prevenir contra golpes que utilizam IA. A LawDi te explica através desse checklist super fácil e didático:

Uma outra dica muito importante, é interromper o fluxo da conversa com perguntas aleatórias e pessoais, que só você e a pessoa saberiam, exemplo: "Você se lembra o que conversamos da última vez que nos encontramos?" ou "Você lembra qual era o nome do cachorro da nossa vizinha quando erámos crianças? Esse é um método muito eficaz, mas cuidado para não perguntar sobre coisas que estão nas redes sociais, assim o infrator pode saber responder. 

Esses dois golpes digitais são frequentes na atualidade, geram prejuízos financeiros e psicológicos. 

Na LawDi, acreditamos que o conhecimento sempre é a chave e, o nosso propósito, é através do nosso canal comunicar, ensinar e alertar sobre como utilizar a Internet da melhor forma, com consciência e segurança. 

Esperamos que após a leitura deste artigo, você saiba identificar cada golpe e proteger você e quem você ama!

Compartilhe este artigo com quem precisa se alertar e se prevenir sobre os golpes digitais! 

Na LawDi, o Digital e a Lei sempre estão em conexão. 

*Autora: Vanessa Mestanza Pelosi. 

*As imagens utilizadas foram criadas por IA. 

  1. REFERÊNCIAS: 

BAND JORNALISMO. Golpes com uso de deepfake aumentam 120% no Brasil. BandNews TV. Youtube, jan.2026. Disponível em: https://youtu.be/YjKXkjyfDVU?si=HTm_MbU0ASe1_OMQ

BANCO CENTRAL DO BRASIL. Como funciona o golpe do Pix errado ou devolução do Pix!. Youtube, mar.2025. Disponível em: https://youtu.be/srmMQwAGoQU?si=RbhwqTNa7MsfSO1j

BANCO CENTRAL DO BRASIL. Perguntas frequentes: O que fazer se você foi vítima de um golpe envolvendo o Pix?. Brasília, DF. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/meubc/faqs/p/vitima-fez-um-pix-e-caiu-em-um-golpe

BANCO DO BRASIL. Golpe com Deepfake: saiba como se proteger. Brasília, DF. Disponível em: https://blog.bb.com.br/golpes-com-deepfake-saiba-como-se-proteger/#:~:text=Golpes%20com%20Deepfake:%20saiba%20como%20se%20proteger

BANCO DO BRASIL. Mecanismo Especial de Devolução (MED). Brasília, DF. Disponível em: https://www.bb.com.br/site/pra-voce/pix/mecanismo-especial-de-devolucao/

FEBRABAN. Portal antifraudes. São Paulo, SP. Disponível em: https://portal.febraban.org.br/AntiFraude/